Relaxando após mais um dia intenso de trabalho, jantava em frente à televisão assistindo a séries americanas da moda, procurando nos encontros e desencontros, nos amores e desamores, nos equilíbrios e desequilíbrios dos seus personagens pontos de equilíbrio para mim e para o meu dia.
Sou e sempre fui um fã de televisão e cinema "popcorn", produtos de consumos simples, sem complicações, incapazes de criar azias ou insónias, no fundo, produtos simples, tipo "pastilha" de descanso mental. E fascinam-me esses argumentistas (tantas vezes) industriais, capazes de escrever as falas de tantos e tão diversos personagens.
Pergunto-me muitas vezes quem serão essas pessoas por detrás das falas.
Hoje, assisti a espisódios de suas séries seguidas, que sendo de épocas diferentes, são (acho eu!) escritas pela mesma pessoa. E sendo um fã da psicologia de bolso, procurava ver nas série o reflexo dos seus autores. Ficou-me clara numa delas a imagem de um escritor jovem, acelerado, com a cabeça a latejar de ideias, de histórias, de emoções intensas mas superficiais. E ainda que os jovens sejam certamente profundos, quantas e quantas vezes a intensidade e sofreguidão dos seus sentimentos nem lhes chega ao fundo da alma, quase como um incêndio devastador que, galgando com tanta força os montes, passa tão depressa pelas árvores que não as chega a queimar.
A outra, por seu lado, reflectia um escritor mais maduro, mais preocupado com a profundidade dos seus sentimentos, ainda que por vezes inebriado na intensidade. Mas onde essa intensidade é como que um bem-vindo regresso ao passado temporário e não um conflito hormonal permanente.
Nesta segunda série, as histórias são talvez menos intrincadas, e certamente mais simples, ritmadas, balanceadas por outros sentimentos, convicções e experiências.
Isto pôs-me a pensar em equilíbrio, e em como ele é vulnerável, dinâmico e subjectivo.
Há muito quem me pense flexível, dobrável, influenciável.
E, no entanto, tal não passa de uma estratégia de sobrevivência e pesquisa da felicidade.
Porque me considero racional, não acho que o equilíbrio tenha de ser a meio. Acho, isso sim, que cada pessoa e acção têm o seu ponto de equilíbrio próprio.
Acho que por ter esta visão dinâmica, diria até mesmo criativa do equilíbrio que me sinto confortável a negociar, a procurar o ponto de encontro, de igual satisfação, de majoração do resultado.
E a vida é uma gestão de equilíbrios. No trabalho, em casa, no trabalho face a casa, na família face ao trabalho, face à casa, face a nós próprios e ao nosso individualismo.
E o mais interessante é que cada um destes equilíbrios é dinâmico, variável, oscilante, impedindo as receitas e as medidas e trazendo à vida uma carga de incerteza e adrenalina por vezes angustiante.
Hoje, este blog é feito de mim. Talvez porque precise dele para encontrar de novo o ponto de equilíbrio. Talvez porque às vezes faz-nos falta recolher o periscópio e olhar para nós mesmos.
Para então encontrarmos o nosso equilíbrio.
quinta-feira, maio 07, 2009
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